Ômega 3 e Dislipidemias

O ácido alfa-linolênico (ALA) é um ácido graxo poliinsaturado de cadeia longa que pertence a família do #ômega3 (e assim ele é conhecido). A partir deste são originados os ácidos eicosapentaenóico (EPA) e o docosahexaenóico (DHA). São encontrados naturalmente em peixes de água fria (como salmão, atum, sardinha, arenque e cavalinha), no óleo de canola e de soja, em castanhas, nozes e amêndoas, e em algumas sementes como linhaça e chia, principalmente.
Pensando em prevenção e tratamento das dislipidemias, o consumo de ômega 3 atua como um ótimo coadjuvante, tendo como base uma boa alimentação, composta por gorduras de boa qualidade - mono e poliinsaturaadas -, consumo reduzido de gorduras saturadas (até 10% do consumo total de gorduras) e de açúcares (carboidratos refinados em geral), consumo adequado de fibras e equilíbrio entre os macronutrientes, bem como da quantidade calórica. Além da alimentação, é interessante também a prática regular de atividade física, sono adequado, exposição ao sol e cuidados como meditação e contato com a natureza (atenuar o estresse faz parte de condutas para evitar que hormônios se desequilibrem e provoquem disfunções no metabolismo lipídico).
A suplementação dietética de ômega 3 tem respaldo científico por trazer diversos benefícios à saúde, entre os quais estão a melhora da dislipidemia e a redução de riscos envolvendo doenças cardiovasculares. Seu potente efeito anti-inflamatório também o tornam um dos suplementos mais indicados para prevenção e tratamento de diversas patologias e para manutenção da imunidade. Além disso, também traz benefícios na comunicação entre neurônios, o que proporciona respostas positivas na memória, cognição e disfunções relacionadas ao sistema nervoso.
O ômega 3 auxilia nas dislipidemias ao promover a redução do colesterol total, redução dos níveis de triglicerídeos sanguíneos e hepáticos, redução do VLDL, aumento do HDL-c e melhora da qualidade do LDL-c ao gerar partículas maiores e reduzir a chance de formar placas de ateroma. Em consequência disso, há redução do risco de desenvolvimento ou progressão de doenças cardiovasculares como hipertensão arterial, aterosclerose, infarto agudo do miocárdio, trombose e acidente vascular cerebral (AVC). Pessoas com excesso de peso (sobrepeso e obesidade), por terem maior quantidade de gordura corporal, são mais predispostas ao desenvolvimento de dislipidemias, e por isso tem indicação para suplementação de ômega 3. Indivíduos com síndrome plurimetabólica, diabéticos e portadores de doenças crônicas não transmissíveis (as quais geram um quadro de inflamação de baixo grau) também se beneficiam ao receberem tal suplementação.
Há uma ação positiva do ômega 3 também no tecido adiposo, aumentando a adiponectina, hormônio que aumenta a sensibilidade à insulina (o que ajuda no controle da glicemia), estimula a saciedade, previne o acúmulo de gordura no fígado, aumenta beta oxidação dos ácidos graxos, diminuiu a lipogênese no fígado e músculo esquelético. Além disso, o ômega 3 aumenta a LPL (lipase lipoproteica), o que reduz os triglicerídeos.
Suplementar ômega 3 é uma potente estratégia contra a hipertrigliceridemia - e para as dislipidemias em geral - por agir tanto reduzindo a decodificação de genes e proteínas responsáveis pela lipogênese, quanto aumentando a decodificação de genes e proteínas responsáveis pela beta oxidação de ácidos graxos.
Para manutenção da saúde e prevenção das possíveis disfunções citadas acima, a dose recomendada é a partir de 1 g de ômega 3. Já para reverter quadros como hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia a dose de recomendação deve ser igual ou maior que 3 g, mas por período determinado de tempo e com acompanhamento nutricional.
Referências
Rohith N. Thota, Jessica J. A. Ferguson, Kylie A. Abbott, Cintia B. Dias and Manohar L. Garg. Science behind the cardio-metabolic benefits of omega-3 polyunsaturated fatty acids: biochemical effects vs. clinical outcomes. Food & Function. This journal is © The Royal Society of Chemistry 2018. DOI: 10.1039/c8fo00348c.
Ann C. Skulas-Ray, Chesney K. Richter, Conrad B. Blum, Francine K. Welty. Omega-3 Fatty Acids for the Management of Hypertriglyceridemia - A Science Advisory From the American Heart Association. Circulation. 2019;140:e673–e691. DOI: 10.1161/CIR.0000000000000709.
Diana Souza Santos Vaz, Fernando Marcos Rosa Maia Guerra, Cristiane Faccio Gomes, Andréa Name Colado Simão, Joaquim Martins Junior. A Importância do Ômega 3 para a Saúde Humana: um estudo de revisão. Revista UNINGÁ Review. Vol.20,n.2,pp.48-54 (Out - Dez 2014).




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