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Nutrição, hormônios e câncer de mama

Foto do escritor: Géssica Borges
Géssica Borges
29 de ago. de 2024
2 min de leitura




O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre o público feminino. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), houve 24,5% (2,3 milhões) de novos casos (em 2023). Ainda conforme análise do INCA, é estimado que surjam 10,5% (74 mil) de novos casos para o triênio de 2023 a 2025.


Existem vários fatores que podem influenciar no aparecimento do câncer de mama. Alguns não são modificáveis, como menopausa, predisposição genética, menarca precoce (<12 anos), idade (maior que 65 anos), menopausa tardia (acima de 55 anos), primeira gravidez após os 30 anos, infertilidade, não ter filhos, uso de contraceptivo. Já fatores como alimentação, tabagismo, etilismo, excesso de peso e sedentarismo são modificáveis e é para onde devemos direcionar nossos esforços.


Quando direcionamos a atenção para a alimentação, vários estudos (1, 2, 3, entre outros) trazem dados que pessoas que tem hábitos alimentares mais saudáveis (e hábitos de vida no geral), são menos propensas ao desenvolvimento ou tem melhores prognósticos no tratamento do câncer de mama.


Através da alimentação, podemos consumir (ou evitar) o que chamamos de disruptores endócrinos - substâncias que desencadeiam respostas hormonais inadequadas -, o que pode levar à uma anormalidade da produção/organização celular. Essa desordem hormonal pode levar ao excesso de peso (sobrepeso/obesidade), diabetes mellitus tipo 2, síndrome metabólica, disfunções tireoidianas, problemas cardiovasculares, deficiências nutricionais entre outros.


Os disruptores endócrinos podem se ligar aos receptores de estrogênio (um hormônio sexual predominante em mulheres, a nível biológico), e dessa forma reduzem/impedem a ação desse hormônio que, entre outras funções, auxilia na prevenção do câncer de mama.


Uma das principais fontes desses desreguladores hormonais são os produtos ultraprocessados e suas embalagens! Além deles, recipientes plásticos contendo a substância Bisfenol A, pesticidas/agrotóxicos amplamente utilizados na agricultura (e consequentemente presentes nos alimentos, já que não podem ser removidos), poluentes do ar e cosméticos são frequentes disruptores endócrinos presentes no nosso dia a dia.


Indivíduos que tem excesso de peso e quantidade de gordura corporal, armazenam mais substâncias tóxicas nesse tecido adiposo, já que ele tem afinidade com tais compostos. Dessa forma, o fígado (principal órgão relacionado à detoxificação do organismo) fica sobrecarregado e adoece. Além disso, substâncias antioxidantes são depletadas/diminuídas, pois são mais solicitadas pelo corpo a fim de sanar os danos causados pelas substâncias tóxicas. Se houver uma alimentação inadequada de forma contínua associada ao excesso de peso, essas alterações tendem a se intensificar.


Então, para se ter um maior controle dos danos provocados por essas substâncias químicas que interferem negativamente no sistema endócrino do organismo humano, é importante que façamos um bom consumo de nutrientes antioxidantes e anti-inflamatórios, uma boa hidratação, controle do peso corporal (para que possamos evitar o acúmulo dessas substâncias no corpo e para minimizar desequilíbrios hormonais que podem se somar aos efeitos dos disruptores endócrinos), atividade física, sono adequado, bem como cuidados relacionados à mente, uma vez que o estresse gera inflamação e também altera os hormônios.


Outro ponto que impacta de maneira importante na saúde da mulher é a menopausa. No climatério os níveis hormonais já iniciam suas alterações. Entre elas, há uma expressiva queda do estrogênio - hormônio que contribui bastante para o gerenciamento de peso, saúde cardiovascular e outras atividades metabólicas. Por isso, é importante um acompanhamento profissional nesse estágio da vida.

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