Fitoterapia ❤🌿

Atualizado: 30 de nov. de 2020

O uso de plantas medicinais está entre os temas mais discutidos atualmente na Nutrição.
Já é estabelecido no meio científico que o estilo de vida ocidental - incluindo a alimentação e os medicamentos - trazem uma série de prejuízos à saúde no longo prazo. Dessa forma, a percepção científica da boa saúde, longevidade e qualidade de vida de populações com hábitos diferentes dos nossos, tem nos despertado reflexões e apontado para onde estamos errando e o que podemos fazer para melhorar. Entre as práticas mais bem estabelecidas como sendo benéficas à saúde humana está a fitoterapia.
A Fitoterapia (Phyton = planta; Therapeia = tratamento) é uma ferramenta que dá embasamento ao uso de plantas medicinais para prevenção e tratamento de doenças (uma prática tão antiga quando a história do homem!). No Brasil ela faz parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS.
Segundo a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF), fitoterápico é o "produto obtido de planta medicinal, ou de seus derivados, exceto substâncias isoladas, com finalidade profilática, curativa ou paliativa". Sua prescrição pode ser feita por diversos profissionais de saúde.
Na Nutrição a fitoterapia é entendida como um coadjuvante ao tratamento alimentar, nunca podendo substituí-lo. Tem uma ampla aplicabilidade, abrangendo desde sintomas como diarreia/obstipação e dores de cabeça até situações clínicas mais complexas, como disfunções hormonais/neuroendócrinas e imunológicas, por exemplo. É regulamentada pelo Conselho Federal de Nutrição, sob a Resolução CFN 525/2013 com adição da Resolução CFN 556/2015.
Existem variadas formas farmacêuticas para uso dos fitoterápicos, como maceração, infusão, decocção, extrato seco, tinturas entre outras. Para uma correta aplicação de cada uma dessas, é necessário conhecimento da composição fitoquímica de cada parte da planta - já que a especificidade da parte utilizada implica diretamente no efeito projetado pelo fitoterápico.
O objetivo da prescrição - baseado no sintoma apresentado pelo paciente - é o que determinará a escolha da forma farmacêutica. Por exemplo: para alguém que sofre com má digestão após consumir uma refeição (especialmente as principais), o ideal é um fito numa forma farmacêutica que proporcione um contato com o gosto da planta (infusões, decocções, tinturas), para que através da percepção do paladar seja desencadeada uma resposta hormonal e enzimática relacionada à digestão. Algumas plantas indicadas nesse caso são: Rosmarinus officinalis (alecrim), Mentha piperita (hortelã), Peumus boldus (boldo do chile), Taraxacum officilale (dente de leão), Zingiber officinalis (gengibre).
Apesar de ser detentor da maior biodiversidade vegetal do mundo, o Brasil não tem estudo científico para a maioria das suas plantas nativas. Uma grande parte das plantas medicinais comercializadas aqui, inclusive aquelas presentes no Formulário de Fitoterapia Brasileiro, são importadas de outros países. Esse cenário tem estimulado os profissionais na busca pelo desbravamento científico das propriedades terapêuticas de plantas brasileiras (acredito que a gente poderia se apropriar disso melhor que o resto do mundo, só acho... 😌🙃😁).
Um dos hábitos que acho válido iniciar, é o consumo mais frequente de chás, sempre com cautela, rotatividade e sem neura (de preferência com indicação profissional). Pois além dos benefícios específicos de cada planta, é válido considerar ao menos o pool de fitoquímicos acrescentados na rotina alimentar, que muitas vezes passam despercebidos!
E ainda tem gente que não reconhece o potencial das plantinhas... 🤦🏾♀️😑🙄

Referências:
MARQUES Natália; PIMENTEL Gabriela; MANOSSO Luana M. Fitoterapia: da digestão ao comportamento alimentar. 1ª edição -2019.
PANIZZA, S.T.; VEIGA, R. S.; ALMEIDA, M. C. Uso tradicional de plantas medicinais e fitoterápicos. CONBRAFITO, 1° edição. São Paulo, 2012.



Gostei! Muito interessante!