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Alimentação e Sustentabilidade

Foto do escritor: Géssica Borges
Géssica Borges
13 de jan. de 2021
4 min de leitura

Atualizado: 16 de set. de 2024


A #Alimentação está intimamente ligada à #Sustentabilidade do planeta. Nosso atual sistema alimentar abrange processos complexos que envolvem desde a plantação (agricultura) até a chegada do alimento em nossas mesas, e perpassam por temas inter-relacionados.


Há algumas décadas o modelo alimentar que nos acostumamos, cada vez mais ocidentalizado, é um assunto preocupante. São inúmeras as evidências de que a cadeia de produção alimentar atual é incoerente com a proporção dos recursos naturais, ou seja, nós estamos usufruindo erroneamente daquilo que o nossa fonte (planeta) nos provê.


O uso intensivo de agrotóxicos, um sistema agropecuário massivo em detrimento da redução da biodiversidade das vegetações, o aumento do consumo de ultraprocessados (e consequente redução do consumo de alimentos in natura ou minimamente processados), a elevação dos preços de alimentos de melhor qualidade, o aumento de resíduos a partir do consumo alimentar (principalmente embalagens), o aumento da fome e da insegurança alimentar, o desenvolvimento de doenças crônicas (como obesidade, diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares), etc., todos esses subtemas atribuem grande relevância ao tema da Alimentação frente à Sustentabilidade.



Será que daqui a alguns anos o planeta conseguirá sustentar o modelo atual de alimentação, no qual a prioridade é direcionada à produção industrial em larga escala (como os commodities) enquanto pequenos agricultores são desvalorizados? Um sistema que desmata grandes áreas em prol da produção de um único tipo de alimento e da agropecuária? Que desmata milhares que Km² de #biodiversidade a troco de mais lucro financeiro (que posteriormente se transforma em prejuízos diversos)?

Essas questões são complexas porém fáceis de entender. Não é novidade que grandes empresas e governos se beneficiem mutuamente objetivando primordialmente a economia. Porém, quando se trata de um contexto global essas conexões precisam ter um mínimo de responsabilidade socioambiental, tendo em vista os problemas de Segurança Alimentar e Nutricional - que acaba ficando em segundo plano ou até mesmo esquecida -, de saúde, de economia e da qualidade ambiental (bem como dos recursos extraídos da terra).


Em algum momento você pode ter ouvido a frase "Descasque mais, desembale menos". Na Nutrição ela é praticamente uma regra, uma vez que traduz a informação de que para alcançarmos saúde e qualidade de vida, é recomendado reduzirmos o consumo de alimentos ultraprocessados (que vem em embalagens, daí o termo desembale) e aumentarmos o consumo de alimentos in natura (que são revestidos de cascas, daí o termo descasque).

Pensando em sustentabilidade, a referida frase também tem grande aplicabilidade, já que a maioria das embalagens não são biodegradáveis. Portanto, quanto maior o consumo de ultraprocessados, maior é a geração de lixo não biodegradável para o mundo. Lembrando que, se tratando de planeta, não existe "jogar fora".


Além de todas essas abordagens, há ainda que se pensar no desperdício de alimentos.

Aproximadamente 1,3 milhões de toneladas de alimentos produzidos anualmente são desperdiçados (1/3 da produção anual). Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), essa quantidade daria para alimentar 2 bilhões de pessoas. No Brasil, 14 milhões de pessoas sofrem com a fome. A pandemia do COVID-19 está agravando ainda mais essa desigualdade.


A educação nutricional pode ajudar a atenuar essa insegurança alimentar e nutricional que tem se mostrado tão evidente, além de contribuir para um mundo mais sustentável. A utilização do alimento em sua forma integral (talos, cascas, sementes) é uma boa alternativa para garantir um aporte de nutrientes, ao mesmo passo que pode conferir maior saciedade e reduzir a produção de resíduos orgânicos. Também o aproveitamento de alimentos que não tem boa aparência para o comércio, como os alimentos que estão mais maduros, amassados, ou que possuam formado pouco atraente.


A redução (não necessariamente exclusão, depende do objetivo pessoal) do consumo de carnes e preferência por alimentos de fonte vegetal (de preferência orgânicos, advindos da agricultura familiar) tem grande potencial de mudança. Esse é um meio de aumentar a exigência pela preservação ambiental e redução do uso de aditivos químicos (afinal de contas queremos um alimento de qualidade), e então, aos poucos, ir mudando a direção do mercado alimentício. Além disso, o aumento da demanda de vegetais pode impactar na redução do desmatamento de grandes áreas para fins agropecuários - que por si só geram malefícios como empobrecimento do solo e geração de gases tóxicos ao ambiente.


A compostagem é uma ótima opção para o reaproveitamento dos resíduos orgânicos, pois, ao serem devolvidos à terra, tais resíduos podem conferir melhor qualidade ao solo e, consequentemente, à vegetação que será plantada naquele local.


Autoridades competentes também devem contribuir na articulação de melhorias nas várias faces da sustentabilidade, aliás, nós é que devemos nos articular para fazermos melhores escolhas (quando nos couber) em relação aos nossos representantes (nas suas respectivas competências).


A iminência de esgotamento dos recursos naturais não deixa espaço para alternativas que fogem ao cuidado do planeta que habitamos. Inúmeros alertas já foram feitos em relação a direção que devemos tomar, inclusive através de fenômenos naturais como efeito estufa, aquecimento global, extinção de espécies de animais, redução da polinização de sementes, etc. Acredito que não precisamos de mais alertas, seja através de constatações humanas ou de desastres naturais. Cá pra nós, já tá chatão já né?!


Mudanças em direção à um mundo mais justo, tanto para nós seres humanos quanto para o meio ambiente, são possíveis. Para tanto, é necessário nos apropriarmos das ferramentas que dispomos e iniciarmos nossas mudanças, ainda que mínimas, mas que sejam crescentes e constantes, tanto a nível individual quanto social. Dessa forma, naturalmente poderemos fazer melhores escolhas, desde os alimentos (o que traz uma nova perspectiva de mudança no comércio de alimentos) até nossos representantes nas diversas esferas de poder, que precisarão demonstrar verdadeiro compromisso socioeconômico diante da responsabilidade dos cargos que ocupam.



Referências


Conselho Federal de Nutricionistas - CFN. Nutrição e sustentabilidade: Alimente essa ideia, o planeta agradece. Disponível em: <https://www.cfn.org.br/index.php/nutricao-e-sustentabilidade-alimente-essa-ideia-o-planeta-agradece/>.


RIBEIRO, Helena; JAIME, Patrícia C., VENTURA, Deisy. Alimentação e Sustentabilidade. São Paulo, 2017. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142017000100185&script=sci_arttext>.


RODRIGUES, Lívia P. F., ZANETI, Izabel C. B. B., LARANJEIRA, Nina P. Sustentabilidade, segurança alimentar e gestão ambiental para a promoção da Saúde e qualidade de vida. Brasília, 2011. Disponível em: <https://repositorio.unb.br/handle/10482/12484>.


PORTILHO, Fátima, CASTAÑEDA, Marcelo, CASTRO, Inês R. R. A alimentação no contexto contemporâneo: consumo, ação política e sustentabilidade. Rio de Janeiro, 2011. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-81232011000100014&script=sci_arttext&tlng=pt>.


ORGANIZAÇÕES DAS NAÇÕES UNIDAS PARA ALIMENTAÇÃO E AGRICULTURA-FAO. Perdas e desperdícios de alimentos na América Latina e no Caribe. 2021. Disponível em: <http://www.fao.org/americas/noticias/ver/pt/c/239394/>.




 
 
 

1 comentário


Almira Luz
Almira Luz
31 de jan. de 2021

A sociedade,se desse mais valor para ter na sua vida diária uma boa alimentação saudável, não precisariam, tomar tantos remédios futuramente. Os NUTRICIONISTAS já nos orientam, com diversos tipos de alimentos que ajudam na nossa qualidade de vida.

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