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Agrotóxicos: quais os impactos na saúde?

Foto do escritor: Géssica Borges
Géssica Borges
3 de ago. de 2023
3 min de leitura

Atualizado: 10 de out. de 2023


O Brasil está entre os países que mais utilizam agrotóxicos, que são conceituados como:

Compostos de substâncias químicas destinadas ao controle, destruição ou prevenção, direta ou indiretamente, de agentes patogênicos para plantas e animais úteis e às pessoas.

Na prática, os dados de saúde revelam que os efeitos negativos têm superado os positivos diante do uso dessas substâncias.


A utilização indiscriminada de agrotóxicos pelos produtores de alimentos é uma realidade gravíssima no nosso país. Os efeitos colaterais dessa prática vão desde o empobrecimento do solo, passam pela perda da qualidade nutricional do alimento, até gerarem danos irreparáveis à saúde humana e da fauna.


Visando uma plantação livre de pragas e alimentos esteticamente mais bonitos (leia-se comercializáveis), inúmeros agricultores brasileiros lançam mão de agrotóxicos - muitas vezes já proibidos em outros países devido o reconhecimento dos seus malefícios à saúde humana e ambiental.


Isso ocorre por que ainda é muito mais fácil (economicamente) para o agricultor se manter sob essa condição do que implementar práticas de agricultura sustentável, orgânica, que esteja em harmonia com os processos naturais do ambiente. Muito também se deve às exigências da sociedade, que vive em uma monotonia alimentar (consome sempre os mesmos alimentos, não respeitando a safra/sazonalidade de cada um deles), e exige alimentos "perfeitos", dentro de um padrão estético.



Na saúde humana, os agrotóxicos agem como disruptores endócrinos, gerando desequilíbrio hormonal e desencadeando doenças como obesidade, diabetes, câncer, resistência insulínica, síndrome metabólica, esteatose hepática, doença renal crônica, Alzheimer, Parkinson entre outras, além de sintomas como estresse e ansiedade, uma vez que eles têm uma ação muito negativa no nosso cérebro também. Além disso, gera bastante estresse oxidativo e sobrecarrega nosso sistema imunológico.


No ambiente, eles matam as pragas que consomem a plantação - como esperado -, e com elas os organismos e microorganismos fundamentais para a saúde do solo e para a disseminação e crescimento adequado dos alimentos, como podemos ver nas imagens acima. As abelhas, em especial, tem a importantíssima função de polinização, pois, ao se alimentarem, elas levam o pólen das flores (que darão os frutos) para outras localidades. A propósito, elas estão cada vez mais ameaçadas!

O que se pode fazer?


Ao adquirir alimentos de pequenos agricultores, podemos fazer girar a economia local de onde moramos. Além disso, fica mais fácil cobrar por alimentos orgânicos, vindos de uma agricultura mais sustentável. Dessa forma incentivamos, de maneira gradual, essa transição alimentar que se faz tão necessária: alimentos com agrotóxicos para alimentos orgânicos, que tem muito mais qualidade e vitalidade já que são produzidos de forma respeitosa ao meio ambiente.


Por isso, a preferência por alimentos orgânicos, sempre que possível, é importante (diria até urgente). Tanto para começarmos um movimento de maior busca por esse tipo de alimento - e assim mudarmos o mercado - quanto por nutrir nosso organismo com comida saudável e tornar saudável também o ambiente em que vivemos.


Referências


Lopes, C.V.A; Albuquerque, G.S.C. Agrotóxicos e seus impactos na saúde humana e ambiental: uma revisão sistemática. SAÚDE DEBATE | RIO DE JANEIRO, V. 42, N. 117, P. 518-534, ABR-JUN 2018. https://doi.org/10.1590/0103-1104201811714


Carneiro, F. F.; Pignati, W.; Rigotto, R, M.; Augusto, L. G. S.; Rizzolo, A.; Faria, N. M. X.; Alexandre, V. P.; Friedrich, K.; Mello, M. S. C. Dôssie Abrasco: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde. Parte 1 - Agrotóxicos, Segurança Alimentar e Nutricional e Saúde. 88p. Rio de Janeiro: ABRASCO, 2012.


Garcia, S.D.; De Lara, T.I.G. O impacto do uso dos agrotóxicos na saúde pública: revisão de literatura. Revista Saúde e Desenvolvimento Humano, 2020, Fevereiro 8(1): 85-96. https://doi.org/10.18316/sdh.v8i1.6087

 
 
 

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